Estudos sobre o Evangelho de Mateus – Parte 37: “Como compreender o Messias Jesus? É Preciso ler as Escrituras com Olhos Novos” – Mt 16,1-12

Por Hermes Fernandes

Conforme vimos anteriormente, Jesus manifesta seu amor e exerce sua ação messiânica não somente às ovelhas de Israel. Esta questão da universalidade da ação messiânica de Jesus nos é introduzida no texto de mateano de 15,21-28; onde vemos relato do encontro de Jesus com a mulher Siro-Fenícia. Para ver nossa reflexão sobre essa perícope CLIQUE AQUI. Em seguida, vimos que Jesus é alento na dor, libertação do sofrimento e o Pão da Vida. Confira esta reflexão. Clique AQUI!

Hoje veremos no que consiste a messianidade de Jesus. Mateus nos fará compreender que Jesus não é um Messias triunfalista. Para esta reflexão, percorreremos o caminho do texto mateano em Mt 16,1-12. Vamos seguir em nossa viagem pelo mundo bíblico?

Interpretar os sinais do Reino
 — 1Os fariseus e saduceus se aproximaram de Jesus e, para tentá-lo, pediram que mostrasse para eles um sinal do céu. 2Jesus, porém, respondeu: “Ao pôr do sol vocês dizem: ‘Vai fazer bom tempo, porque o céu está vermelho’. 3E de manhã: ‘Hoje vai chover, porque o céu está vermelho-escuro’. Olhando o céu, vocês sabem prever o tempo, mas não são capazes de interpretar os sinais dos tempos. 4Uma geração má e adúltera busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.” Então Jesus os deixou, e foi embora.

O fermento que corrompe 
— 5Quando atravessaram para o outro lado do mar, os discípulos se esqueceram de levar pães. 6Então Jesus disse: “Prestem atenção, e tomem cuidado com o fermento dos fariseus e dos saduceus.” 7Os discípulos pensavam consigo mesmos: “É porque não trouxemos pães.” 8Mas Jesus percebeu, e perguntou: “Por que vocês estão pensando na falta de pães, homens de pouca fé? 9Vocês ainda não compreendem, nem mesmo se lembram dos cinco pães para cinco mil homens, e de quantos cestos vocês recolheram? 10Nem dos sete pães para quatro mil homens, e quantos cestos vocês recolheram? 11Como é que não compreendem que eu não estava falando de pão com vocês? Tomem cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus.” 12Então eles perceberam que Jesus não tinha falado para tomar cuidado com o fermento de pão, mas com o ensinamento dos fariseus e saduceus.

Cresce o Novo Povo de Deus. Com isso, cresce a oposição a Jesus, representada pelos Fariseus e Saduceus. Esse Messias contrário à teologia deles, com proposta de libertação dos pobres e de integração dos gentios, não corresponde à expectativa dos dirigentes da religião do Templo. Eles esperavam um Messias que confirmasse sua posição de prestígio e poder. Eram aficionados pelo poder.

Incomodados com a prática diversa de Jesus, exigem provas de sua messianidade. “Um sinal do céu” (Mt 16,1). Afinal, quem é Jesus? E com que autoridade estaria agindo?

A resposta de Jesus desmonta a astúcia deles. Conspiravam contra o profeta galileu. Ele responde com outro desafio. As palavras de Jesus poderiam ser adaptada aos nossos dias assim: “Vocês sabem de tantas coisas, entendem até de ‘meteorologia’! Se vai chover ou se o tempo vai ficar bom. Como não conseguem perceber que quando se faz justiça é sinal de que o Reino de Deus está chegando? (cf. Mt 16,3) Vejam o ‘sinal de Jonas’! Aprendam a ler as Escrituras com olhos novos!”

Esse comportamento dos Fariseus e Saduceus era muito perigoso. Eles esperavam um Messias à sua imagem. Segundo suas ambições. Alguém que controlasse a tudo com o poder, que usasse da força da violência para manter o status quo. Por isso, Jesus alerta aos seus discípulos e discípulas do perigo do “fermento dos Fariseus” presente na comunidade (Mt 16,5-12). O desejo de uma manifestação messiânica extraordinária, fantástica; foi o tema da primeira e segunda tentações no deserto (cf. Mt 4,1-7). Se os discípulos assimilarem essa mentalidade, não estarão entendendo o messianidade de Jesus, presente no meio do povo como aquele que está ao serviço da vida. Terão caído na tentação do prestígio e, com isso, do poder.

As comunidades de Mateus, representadas pelos discípulos, estavam em um lento processo de compreensão dos ensinamentos do Cristo. Por isso, precisavam ser alertadas contra a doutrina dos Fariseus e Escribas. Não podemos nos esquecer que nesse momento elas estavam se separando definitivamente do judaísmo formativo. O Novo Povo de Deus se constrói exatamente por sua recusa aos ensinamentos farisaicos e por sua adesão à proposta de Jesus.

A religião que corresponde à proposta de Jesus não explora, nem oprime o povo. Pelo contrário, promove e defende a vida.

(continua)

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