Crônicas Bíblico-Catequéticas – Parte 4: “Sal para um Mundo Hipotenso”

Por Leonardo Narduzzo

“Vós sois o sal da terra. Ora, se o sal perde seu sabor, com que se salgará? Não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e pisado pelas pessoas”
(Mt 5,13)
 

Na nossa caminhada de crescimento, vamos aprendendo a cada dia a descobrir novas dimensões da cotidianidade e percebemos que saborear a vida vai se tornando uma necessidade para todos.

Quão importante é uma justa medida de sal para que uma comida seja saboreada! O sal na boa medida aprofunda cada sabor, revela novas dimensões ao sabor próprio de cada ingrediente. Como cristãos, estamos chamados a ser sal: “aprofundadores” da vida, reveladores da grandeza oculta presente no pequeno, liberadores das qualidades dos outros, bacharéis, mestres e doutores em detalhes que fazem a diferença. E,junto com o chamado, surgem perguntas. Qual será o caminho para nos tornarmos esse sal que faz com que a vida seja mais gostosa? Será uma tarefa difícil?… Será só uma tarefa?

Ao encontrarmos a metáfora do sal logo depois das Bem-aventuranças (Mt 5), fica tudo mais claro. Quase podemos ouvir Jesus dizendo-nos: “Meu amigo, eis aqui o caminho; para ser sal só precisas ser feliz!”. Quão diferentes são aqueles que vivem a vida com intensidade, aqueles que têm convicções e as realizam no dia-a-dia. Ninguém pode resistir ao impulso de ir ao encontro desses que vivem sua vida com entusiasmo, com gratidão, com desejos extras de viver, sempre com ideias novas e com um sorriso nos lábios, mesmo em meio a grandes sofrimentos. Até parece que são melhores, especiais… Mas são feitos do mesmo barro que todos os outros; a diferença é que são felizes. São bem-aventurados; fizeram de Deus sua segurança e sua fonte de alegria. Pessoas assim entenderam que esse é o único desejo de Deus Pai: que cada um de seus filhos seja feliz, cada qual com seu estilo próprio.

Nosso mundo está hipotenso: com falta de sal. O sal da felicidade está escasso; tornou-se coisa rara no meio de nós. Nem o prazer que podemos dar a nós mesmos, nem a tranquilidade do dever cumprido, nem o reconhecimento dos outros, nem qualquer glória ou sucesso, nem posses e bens… nada disso coloca a gente no caminho da felicidade. Pessoas vagueiam por todo canto à procura de felicidade e paz. E, nós cristãos, somos chamados a ser sal; chamados a contribuir para que a vida de nossos irmãos ganhe novo colorido e novo vigor. Nossa felicidade, nossa alegria de viver na presença de Deus pode fazer a diferença em muitas outras vidas. Como seria insípido condicionar nossa iniciativa à resposta do próximo. Como seria triste deixar o mundo sem nosso grãozinho de sal, sem nossa mão no ombro, sem nossa palavra de ânimo, sem nossa originalidade, nossa alegria, nosso perdão. Seria jogar o dom da vida no lixo.

Quando somos capazes de espalhar a felicidade para aqueles que sofrem, sem esperarmos nada em troca, começamos a ser sal. Entendemos que nenhuma felicidade pode ser vivida isoladamente, mas deve ser partilhada, doada, aliás, porque a única vida que vale a pena é a vida que se doa. Eis a verdadeira bem-aventurança!

Colaborou: www.fiquefirme.com.br

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