Que venha a nós o Tempo da Misericórdia!

“O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, a quem vós matastes, pregando-o numa cruz. Deus, por seu poder, o exaltou, tornando-o Guia Supremo e Salvador, para dar ao povo de Israel a conversão e o perdão dos seus pecados. E disso somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem.”
(At 5,30-32)

Por Hermes Fernandes

A Liturgia das Laudes de hoje nos apresenta um belíssimo texto dos Atos dos Apóstolos. Em At 5,30-32, a Ação salvífica é descrita de forma quase que poética. Ler este trecho de Atos, faz aquecer nosso coração. Fica-nos clara a disponibilidade do Altíssimo e Bom Senhor em transformar nossa vida por intermédio de Seu Filho, Jesus. O Mistério Pascal é a fronteira entre nossa frustrada existência humana e a esperança futura, enquanto filhos e filhas do Altíssimo. A bondade do Pai se faz Ação por Jesus. Seu sacrifício supera toda Lei.

Enquanto o Texto Sagrado nos abre à esperança, muitos de nossos irmãos e irmãs, no agir pastoral, se fecham à liberdade do Espírito Santo de Deus. Ao contrário da alegria que este nos inspira, o acolhimento, a partilha; agem de forma a tornar árdua a vida em comunidade. Legalizando, limitando o amor infinito de nosso Pai. Enchendo de trevas a luz infinita que invade a Casa Humana, transformando-a em Casa de Deus. Legalismos, moralismos, extremismos; ação pastoral que – ao contrário do cuidado para com as ovelhas do Pai – destroem seus corações com exclusão, marginalização.

Assim como os Fariseus, nossa sociedade e – até mesmo – a comunidade cristã, tende a limitar a graça. Desejam contristar o Espírito de Deus (cf. Ef 4,30). Limitar sua ação, segundo critérios humanos. Ou desumanos. Pode ser que o contexto em tempos hodiernos seja diferente. Outrossim, a questão não se difere ao todo. Quantas vezes não fomos questionados se este ou aquele irmão ou irmã é digno, digna da graça? Quantas vezes não se julga o beneficiado de uma ação de misericórdia por não ser seu mérito? A graça limitada à lei. O Amor de Deus, rebaixado à meritocracia. Assim como Jesus não podia curar nos dias de sábado, moradores de rua não merecem auxílio material por sua forma de vida. Dizem que são vagabundos, bêbados e drogados. Escolheram o sofrimento. Sem contar o trato melindroso que ainda temos em nosso agir pastoral para com os casais de segunda união, homossexuais, pessoas humanas prostituídas. Muitos em nossa Igreja, ainda não compreenderam o amor infinito de Deus. Que supera moralismos. Ainda hoje, pessoas são excluídas dos sacramentos – sobretudo da comunhão eucarística – por impedimentos morais. Os postulados do Papa Francisco por acolhimento são vistos como heresia, como vimos recentemente. Tudo muito fundamentado em doutrina e teologia. E Deus? Ama loucamente. Loucura de Cruz (cf. Jo 15,13).

Fica-nos a provocação do Evangelho. Jesus, tendo misericórdia por todos, opta sempre pela libertação. Não importava ser sábado. Ser pecador. Penso que ele também não auferiu as virtudes e o mérito dos homens e mulheres que encontrou pelos caminhos de seu ministério. Curou. Libertou. Amou.

Peçamos que o Cristo possa agir em nós. Sendo misericordiosos sempre. Não obstante quando a lógica humana diz: não! Assim, seremos também curados. De toda sorte de doença. Até mesmo da hipocrisia.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: