Maio: mês de Nossa Senhora

Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal (RN)

Na próxima semana, iniciaremos o mês de maio, mês mariano. Dia primeiro,  comemoraremos o dia mundial do trabalho e também o dia de São José Operário. É uma oportunidade para agradecermos ao bom Deus pelo trabalho que nos dá o sustento e ao mesmo tempo suplicar aos céus contra injustiça, ainda praticada em nossos dias, do trabalho escravo, do tráfico de pessoas para trabalhos humilhantes e da exploração do trabalho infantil. Que esta chaga da sociedade desapareça do nosso meio.

Na nossa espiritualidade cristã, a Virgem Maria não é mais uma devoção. Ela é o sinal mais eloquente de relação com Cristo. De fato, em Maria, a Igreja proclama que a sua fé não é algo que se perde no vazio, ou que desaparece na escuridão. Pelo contrário, o “princípio mariano”, tão evocado pelos papas, lembra a todos nós que o seguimento a Jesus passa pelas características da vida de Maria de Nazaré: em primeiro lugar, uma vida cheia da graça divina, que envolve todo ser humano, o reconhecimento de que Deus nos chama para fazer a sua vontade, a disponibilidade para escuta da Palavra e para o seguimento confiante na ação do Espírito, a vida de atenção ao sofrimento do outro, “estar” junto à Cruz do Filho, permanecer na oração com os irmãos e irmãs. Essas características estiveram presentes em Maria. Elas também precisam estar na nossa vida. Celebrar a devoção à Mãe de Deus é deixar-se conduzir pelo Espírito, é aceitar que Deus olha para nós e nos convida ao seguimento do seu Filho. Maria viveu tudo isso e é exemplo para todos nós.

O mês de maio é dedicado a Nossa Senhora. É uma oportunidade para evangelização e para a reflexão sobre o princípio mariano de nossa fé. Ao meditarmos como a Palavra de Deus nos apresenta a figura e o papel da Virgem Maria na obra da redenção e na história da salvação, podemos ver que a nossa fé se ilumina pelas atitudes marianas. Às demonstrações de afeto filial, de verdadeira devoção, de ternura para com a Mãe do Senhor, devemos juntar nossa convicção de fé em relação ao exemplo eminente da Virgem Maria. Seremos cristãos se estamos atentos ao que a graça de Deus realiza nas pessoas que acolhem a proposta divina. De fato, este é o princípio que norteia a nossa fé: Deus vem ao nosso encontro, propõe algo para nós, isto é, Ele mesmo se dá a nós, Ele nos fala e nós somos convidados a dar uma resposta. Podemos dizer, com base na reflexão teológica atual, que o ser humano foi criado para dar reposta ao Deus que vem ao seu encontro. Existimos para o encontro pessoal, não com uma coisa, uma realidade abstrata, sem nome, não com um “deus-spray”, como recordou o Papa Francisco, mas com um “acontecimento, com uma Pessoa” (Bento XVI, carta Encíclica Deus é amor, 1), que nos interpela à comunhão de vida, que nos chama à santidade, isto é, a uma relação com Ele.

A Igreja afirma, e isto faz parte de nossa fé, que a Virgem Maria é o exemplo mais perfeito dessa resposta. Ela é exemplo de acolhimento da Palavra de Deus e de disponibilidade inteira à missão que a Palavra convoca. Ao acolher a Palavra ela se torna morada da graça, templo do Espírito, tabernáculo da força do Altíssimo. Em Maria, dá-se o perfeito encontro entre proposta divina e resposta humana, como nos recordou o Papa emérito Bento XVI, na Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini: “é necessário olhar para uma pessoa em Quem a reciprocidade entre Palavra de Deus e fé foi perfeita, ou seja, para a Virgem Maria, que, com o seu sim à Palavra da Aliança e à sua missão, realiza perfeitamente a vocação divina da humanidade” (Bento XVI, Exort. Apost. Verbum Domini, 27).

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CNBB

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