A santidade é Dom de Deus

 Bem-aventurado Columba Marmion, abade
(1858-1923) 

Entre as almas que buscam a Deus, muitas há que só a muito custo chegam a ele. Umas não têm nenhuma idéia exata do que é a santidade. Ignorando ou pondo de parte o plano traçado pela Eterna Sabedoria, fazem consistir a santidade numa concepção qualquer, filha da sua inteligência. Querem guiar-se por si mesmas: apegadas às ideias meramente humanas que para si forjaram, extraviaram-se; e se dão grandes passos, é fora do verdadeiro caminho traçado por Deus; são vítimas de ilusões, contra as quais punha São Paulo de sobreaviso os primeiros cristãos.

Outros têm idéias exatas sobre certos pontos particulares, mas falta-lhes uma visão de conjunto; perdendo-se em minúcias, não tendo vista alguma sintética, debatem-se muitas vezes, inutilmente, sem conseguir sair do mesmo lugar; a sua vida torna-se verdadeira tortura, a contas com dificuldades incessantes; trabalham sem entusiasmo, sem expansão e, muitas vezes, sem grande resultado, porque dão aos seus atos mais importância ou atribuem-lhes menor valor do que deviam ter no conjunto.

É, pois, da máxima importância correr pelo caminho, como diz São Paulo, não sem rumo certo (1Cor 9, 26), mas de maneira a atingir a meta – Sic currite ut comprehendatis (1Cor 9, 24); conhecer, o mais perfeitamente possível, a idéia divina da santidade; examinar com o maior cuidado o plano traçado pelo próprio Deus para nos fazer chegar até ele, e adaptar-nos a este plano. Só assim se pode operar a nossa salvação e santificação.

Em matéria tão grave, numa questão tão vital, cumpre-nos ver e apreciar as coisas como Deus as vê e aprecia. – Deus julga tudo na luz, e o seu juízo é a última norma de toda a verdade. «Não devemos julgar as coisas ao nosso gosto – diz São Francisco de Sales – mas consoante o gosto de Deus: é a grande palavra. Se formos santos segundo a nossa vontade, nunca o seremos a valer: devemos sê-lo segundo a vontade de Deus». A sabedoria divina é infinitamente superior à sabedoria humana; o pensamento de Deus contém fecundidades, que nenhum pensamento criado possui. É por isso que o plano estabelecido por Deus foi traçado com tanta sabedoria, que é impossível poder falhar por insuficiência intrínseca, mas única e exclusivamente por nossa culpa. Se deixarmos à idéia plena liberdade e poder de operar em nós, se nos adaptarmos a ela com amor e com fidelidade, torna-se em extremo fecunda e pode conduzir-nos à mais sublime santidade.

Examinemos, pois, à luz da Revelação, o plano de Deus a nosso respeito; esta contemplação será para as nossas almas fonte de luz, de força e de alegria.

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