Progressistas e Conservadores: dois grupos em conflito na Igreja? Respostas às perguntas do Povo de Deus!

“Vede como é bom e agradável
os irmãos viverem juntos!”
(Salmo 133/132)

Por Hermes Fernandes

Recentemente, em conversa fraterna com irmãos e irmãs de nossas comunidades, fui interpelado sobre a diferença entre ser conservador, tradicionalista e progressista. Questionaram-me, em tempo, o porquê de tanto conflito entre esses grupos. Ao longo de minhas considerações, um irmão muito caro à minha vida, pediu-me que transcrevesse minhas considerações, para que outros pudessem participar deste colóquio. Na condição de servo, à qual o ministério me sujeita, disponho-me nessas linhas a atender tal pedido.

Primeiramente, gostaria de dizer que todo rótulo é perigoso, enquanto forma de se definir qualquer arquétipo inerente à pessoa ou aos grupos humanos. O pensar e o agir humanos não cabem em nomenclaturas. Deste modo, peço ao leitor deste nosso escrito que o entenda como opinião pessoal os postulados nele presentes. Uma mera tentativa de iluminar escuridões nas mentes que se sentem escurecidas diante dos frequentes conflitos nas mídias sociais. Desta feita, vamos por grupos, identificando quem são os conservadores, os tradicionalistas e os progressistas e, quem sabe, entender os motivos da existência de conflitos entre eles.

Conservadores:
Penso que este grupo é o mais vitimado de injustiça conceitual. Em verdade, é uma definição abrangente, uma vez que todo cristão católico – verdadeiramente engajado no caminhar da Igreja – é conservador. Como a este pode se adequar todo católico, penso que não há necessidade de definir como conceito particular, sendo todos os católicos conservadores. Por que? Veja:

  1. Só se pode ser católico, vivendo o batismo. Atendendo ao chamado inicial ao Povo de Deus de pertença ao Corpo Místico de Cristo que é a Igreja. Esta adesão se dá pela iniciação Cristã. Somos todos batizados e, por isso, todos estamos comprometidos em professar e viver o Símbolo Apostólico, a Profissão de Fé.
  2. Enquanto Povo de Deus, em livre e feliz adesão à Igreja de Cristo, vivemos seus ensinamentos e nos colocamos – voluntariamente – sob seu Magistério. Por isso, enquanto seguidores de Jesus, mantemos nosso olhar e nossos ouvidos atentos aos ensinamentos de nossos pais na fé, o Papa e os bispos, sucessores dos apóstolos.
  3. Cabe a cada Cristão/ã católico/a manter essa livre e feliz adesão à Igreja de Jesus como parâmetro para todo seu viver. São as verdades de fé, concomitantes com essa adesão ao Corpo Místico de Jesus, que pautarão as escolhas e os caminhos a seguir. Quem professa essa fé, deve viver coerentemente com ela, sendo testemunho vivo de seu batismo. Neste sentido, todo católico é conservador, pois conserva em si o Magistério de sua Igreja, vivendo-o e, por este viver, testemunhando Jesus em todos os lugares onde estiver. Todo católico anuncia o Evangelho com a própria vida e com isso, é missionário e catequista em tempo integral. O que podemos concluir que, sendo católico, é missionário e guardião da Fé, conservando-a viva e vivificante, levando a certeza da Vida Plena, em tempos de incertezas e morte.

Dadas as considerações acima, podemos concluir que todo católico é – em essência – conservador; uma vez que conserva em sua vida a opção pelo Cristo e sua Igreja, em seu pensar e agir. Para tanto, precisa viver, de forma ministerial, como depósito dessa fé e difusor dela, anunciando Jesus Cristo, em comunhão fraterna, preparando o Reino de Deus.

Tradicionalistas:
Na verdade, devemos entender esse termo como diferente de Tradição. A Tradição é a História de um Povo, com suas riquezas e expressões de sua identidade. Por isso, não podemos entender Tradicionalistas como Tradicionais. Aos Tradicionais, podemos identificar como sinônimo, os conservadores. São duas palavras para o mesmo conceito. O conservador é aquele que defende a Tradição Viva da Igreja, como já elucidado acima. O Tradicionalista mata a Igreja por obsessão pela tradição. São legalistas, rubricistas, obtusos e combatistas da contemporaneidade. Os tempos podem mudar, mas a pragmática da Igreja não. Querem andar a cavalo, em tempos de aviões a jato e trens bala. Perdoe minha analogia pobre.

Podemos identificá-los como promotores do neotradicionalismo católico atual. Estes tem pouco em comum com os conservadores. São Ultraconservadores. Trata-se de uma corrente mais recente e busca uma perigosa radicalização do tradicionalismo católico. É uma cultura católica tradicionalista que já não é mais realmente conservadora. Pelo contrário, é uma insurgência. A fim de manter o catolicismo como antes, o establishment eclesiástico atual deve ser completamente destruído. É a Igreja da veterotradição e das outras tantas opções. Negam a legitimidade das reformas do Concílio Vaticano II, se auto definem como guardiões da verdadeira Igreja de Cristo e gritam, bradam, esbravejam, como cães enlouquecidos. Nada tem de Católicos, pois o termo Catolicidade significa Universalidade. O que é universal agrega, não divide. Os tradicionalistas semeiam divisão, atacam o Magistério, pois este não sustenta suas opiniões.

São os brigões. Estão em conflito com todos que pensam e agem diferente deles. Mesmo que este diferente seja o Magistério e as diretrizes oficiais da Igreja. Enxergam hereges e heresias em tudo que os cerca. Tudo que não concorde com o mundinho criado por eles. Aqui ouso dizer que este mundo só existe na cabecinha deles. E negando o Magistério oficial da Igreja, acabam – eles mesmos – difundindo heresias. Afinal, confrontar o Magistério é apostasia, uma heresia diagnosticada pela teologia sistemática.

Progressistas:
Este também é um conceito interessante. Para mim, desnecessário. Penso que se aplica também a todos os católicos. Todo o cristão em comunhão com o Magistério da Igreja, sensível às reformas pós-conciliares, em comunhão com as Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil pode ser identificado como progressista. Na diversidade de carismas têm todos o mesmo sonho: Evangelizar. Aqui todos podem se abrigar no mesmo conceito. Estão atentos às novas necessidades humanas e, consequentemente, aos novos desafios para a evangelização.

Comumente, chamam-se progressistas os que se identificam com as Comunidades Eclesiais de Base. Discordo! Penso que seja progressista todo aquele que, em espírito de comunhão com o Magistério, entendeu a necessidade de uma Igreja em Saída. Aqui todos partilham da mesma mesa, do mesmo banquete. Desde a Renovação Carismática Católica até às CEBs. Todos têm o mesmo sonho. Desnecessário qualquer conflito entre eles. Até porque, estes grupos só existem em consequência das aberturas inauguradas pelo Concílio Vaticano II. São filhos do mesmo pai. Não fica bem filhos digladiarem entre si.

Ainda há um conceito que devemos lembrar aqui. Entre os chamados progressistas, há um grupo radical que também se faz perigoso. Assim como os conservadores são confundidos injustamente com os tradicionalistas, este grupo é visto erroneamente como progressista. Podemos chamá-los de liberalistas. Querem uma Igreja sem os pilares fundamentais que a compõe. Negam dogmas elementares de fé. Querem instrumentalizar e banalizar a Liturgia. Querem uma Igreja sem clero, sem devoções, sem dogmas. Uma anarquia injustificada. Em nome do politicamente correto, flertam com ideologias contrárias à doutrina cristã. Chegam ao absurdo de cogitar alguma justificativa moral para o aborto.

Protestam contra tudo que fundamenta a catolicidade. Insisto: não são progressistas. Chamemo-nos liberalistas. Estão errados. Contrários ao Magistério da Igreja! Vivem uma insatisfação perene com tudo e todos. São pessimistas, contestadores, críticos, cheios de discursos de ódio. Brigam sem saber o porquê. Não há lugar na Igreja em que eles se sintam em casa.

E os conflitos?
É minha opinião particular que os dois grupos aos quais vemos ser perfis diferentes, mas em nada conflitivos, não são culpados destes conflitos. Conservadores e progressistas são diferentes em sua definição, mas podem e devem caminhar juntos, somando uns com os outros suas riquezas particulares. É a beleza da Diversidade que enriquece a Unidade.

Você, caro leitor, viu que eu elenquei dois outros grupos de postura perigosa dentro da Igreja. Os tradicionalistas e os liberalistas. Estes, de fato, estão em conflito. É preciso ter claro discernimento para não participarmos desses movimentos e, consequentemente, desse conflito. Independentemente, podemos nos identificar como conservadores ou progressistas. O que não podemos ser é Tradicionalistas ou Liberalistas. Estes fogem da comunhão com o Magistério. Atacam os valores de nossa fé. Instrumentalizam nosso amor por Jesus em nome de uma busca pelo poder e por imposição de ideologias contrárias às primícias de nossa fé. Estes grupos devem ser evitados e, quem sabe, erradicados em nosso meio. Outrossim, a diversidade de carismas deve ser cultivada. É benéfica e linda! Ainda verei uma liturgia onde as CEBs e a RCC – grupos apaixonados e apaixonantes – celebrarão juntos o Deus da Vida, promovendo vida plena a todos. Sonho porque amo. Amo por que acredito. Amém!

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